segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Onde andava esta equipa?


Antes de irmos à resposta, importa fazer um pequeno apanhado do que aconteceu nos últimos dias antes do Clássico. A primeira coisa que precisa ser dita por alguém é a seguinte: o Benfica foi ao Estádio do Dragão mentalizado e preparado para perder. A comunicação social amiga foi passando a mensagem de que na época passada os comandados de Rui Vitória apenas venceram um em quatro clássicos (duas derrotas frente ao FC Porto; uma vitória e uma derrota contra o Sporting) e mesmo assim foi campeão. Depois disso veio o choradinho das ausências forçadas e a história do Benfica desfalcado, tendo o ponto alto sido a conferência de imprensa de antevisão ao jogo onde Rui Vitória, respondendo a uma pergunta nada inocente da BTV, dava de mão beijada a confirmação de que Fejsa e Grimaldo se juntariam a Rafa e Jonas como baixas na deslocação ao Porto. Tudo isto serviu para passar a mensagem de coitadinhos, que iam lutar contra todas as adversidades mas que, apesar de tudo, mesmo que fossem derrotados nada estava perdido, porque a comunicação social diz que no ano passado também foi assim e que acabou a festejar foram os Encarnados.

A pergunta que se impõe é: dos quatro ausentes, quem poderia realmente fazer a diferença perante um FC Porto tão dominante? Fejsa seria a minha resposta. Os restantes servem apenas para vender a ideia de um Benfica super-desfalcado, mas na realidade qualquer um deles é bom quando a equipa tem a bola e bastante limitado nas tarefas defensivas. Jonas, em especial, tem sido anedótico nos jogos contra equipas de maior estatuto. Tendo sido o Benfica remetido pelos Dragões à própria área, seria sempre indiferente quem estaria no ataque a ver o adversário massacrar.

Com isto chegamos à resposta à pergunta que dá título a este texto: estava lá desde sempre, mas Nuno nunca tinha olhado para ela. Foi preciso o FC Porto estar numa situação de "vida ou morte" para que o treinador decidisse meter a carne toda no assador. Mais, enquanto o 1-0 não chegou, Rui Vitória nunca conseguiu minimizar os danos causados pelos Dragões na defesa encarnada, sendo completamente dominado tacticamente por Nuno Espírito Santo (NES). A equipa do Benfica pareceu sempre em inferioridade numérica tal era a facilidade com que o FC Porto se colocava em situações de três para dois nas alas ou de cinco para quatro no ataque. Infelizmente, como aqui já foi dito, NES decidiu borrar a pintura e dar ordem à equipa para se ir encolhendo. O esforço final das Águias na procura do empate tem mais demérito azul e branco do que mérito próprio.

Que Nuno tenha aprendido esta valiosa lição e que não volte a cometer o erro de recuar a equipa quando esta domina o jogo por completo. De resto, é continuar a dar minutos a este onze, trocando apenas um ou outro elemento de forma esporádica mas sempre com características o mais semelhantes possíveis, para que o FC Porto se torne de novo dominante dentro de portas. Quanto à motivação para isso, está nas mãos de todos - jogadores, equipa técnica, direcção e adeptos - fazer com que nunca falte, seja contra o Benfica ou contra o Tondela.