quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Nuno, temos um problema...


É tema recorrente nas conferências de imprensa no final dos jogos: a falta de aproveitamento na finalização quando se olha às inúmeras oportunidades de golo que a equipa do FC Porto vai dispondo semana após semana. Nuno usa a mesma desculpa - chamemos-lhe assim, apesar de haver um fundo de verdade nessa análise - que Lopetegui e Paulo Fonseca usavam quando as coisas corriam mal ou se mostraram mais difíceis que o inicialmente esperado. Mas a equipa tem mais problemas além desse, sendo que a dificuldade em defender bolas paradas é o que mais salta à vista. E o actual treinador dos Dragões parece ignorá-lo, tal como os dois últimos treinadores a iniciar uma época nessa função.

Até ao momento o FC Porto sofreu nove golos - uns mais legais, outros menos -  nos jogos oficiais que disputou, tendo sido apenas quatro em jogadas ditas de bola corrida. Os cinco que faltam foram sofridos em cantos (3) e livres junto à área (2). Ou seja, mais de metade das vezes que a bola entra na baliza habitualmente defendida por Casillas é porque o adversário beneficiou de um livre ou de um canto e não por terem conseguido desmontar a muralha defensiva que o espanhol tem à frente.

Roma, Rio Ave e Benfica foram os adversários a marcarem na sequência de um pontapé de canto, Sporting e Boavista foram quem marcou na sequência de pontapés livres. Se podemos argumentar que ambos os golos de livre foram consentidos muito por culpa de erros de arbitragem (fora-de-jogo no caso dos Axadrezados e mão na bola no caso dos Leões), os golos sofridos após a marcação de um canto aconteceram porque, nessa jogada, os adversários foram simplesmente mais fortes/melhores.

Nuno implementou no FC Porto uma marcação mista, da qual não sou apreciador, para defender esse tipo de jogadas. Um dos defeitos que a marcação mista traz anexado é a necessidade de ser adaptada jogo após jogo às características dos jogadores da equipa contrária mas também daqueles que estão nesse momento a defender as cores do FC Porto, tornando-se assim difícil de dominar por completo e, olhando aos números, pouco fiável. Outra opção seria a marcação homem a homem, casa vez mais em desuso devido à facilidade com que quem ataca consegue ganhar uma grande penalidade ou simplesmente fugir ao defensor para fazer o golo, mas também ela seria uma aposta perdida para Nuno Espírito Santo (NES) muito por culpa da baixa estatura de quase metade do onze base, além dos problemas já identificados. Resta uma opção: a marcação à zona.

Como tudo no futebol, a marcação à zona nos lances de canto não é infalível. No entanto, face às regras cada vez mais apertadas para quem defende, tornou-se a mais viável de há alguns anos a esta parte. E tendo NES um onze cada vez mais definido, torna-se mais fácil treinar essas jogadas de forma a que o FC Porto seja mais competitivo nas mesmas jogo após jogo. É certo que cada treinador tem uma maneira própria de trabalhar cada aspecto do jogo, mas em futebol é preciso estar sempre atento porque o que ontem era garantia de sucesso, amanhã pode já não prestar.