domingo, 6 de novembro de 2016

Análise ao FC Porto vs. Benfica (1-1) - O Dragão corajoso e o Dragão covarde

O Dragão corajoso


Talvez forçado pela hipótese de ver o Benfica ficar com oito pontos de vantagem sobre o FC Porto, Nuno Espírito Santo (NES) decidiu seguir os conselhos que lhe fui dando desde que abri o FC Porto Interactivo e deixou Herrera de fora recorrendo a Corona para completar o onze inicial. E que maravilha foi ver aquela equipa jogar, com agressividade, rapidez, objectividade e atitude. Só um autêntico milagre e Artur Soares Dias, que arcou falta contra o FC Porto num lance que acabou com a bola dentro da baliza do Benfica quando foi Mitroglu o primeiro a jogar a bola com o braço, impediram quem vestia de azul e branco de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. Foi um FC Porto avassalador como há muito não se via e que obrigou o adversário a jogar como uma equipa muito pequenina, sendo o maior exemplo o amarelo a Ederson ao minuto 48 por demorar a repor a bola em jogo. Dois minutos depois Diogo Jota marca e esse FC Porto morreu.

O Dragão covarde


O mais natural é alguém ler isto e deixar um comentário a dizer que é fácil falar de fora, mas mesmo assim tenho de o dizer: NES é o primeiro grande culpado deste empate. Aliás, fosse ele tão expedito a lançar opções ofensivas quando está em desvantagem como foi hoje a ir empurrando o FC Porto para a própria área e estávamos perante uma novidade esta época, que seria os Dragões perderem pontos. A primeira substituição (Corona por Rúben Neves) aceita-se. Era óbvio que o Benfica ia tentar passar o meio-campo e o mexicano até já tinha amarelo. O que não entendo foi a pressa para tirar Óliver, que ainda não dava sinais de quebra física, para meter e, pior de tudo, tirar Jota para lançar Herrera para ajudar numa luta a meio-campo que há muito não existia! Desde a entrada de Jiménez que o Benfica era bola directa no ataque e fé em Deus. Mas claro, um jogador que Pinto da Costa se dá ao luxo de gabar ter recusado propostas de 30 milhões de Euros por ele tem de joga sempre e lá entrou aquele que há muito está a mais no clube. E não é que por azar fez merda e até custou três pontos (os dois que perdeu juntamente com o que permitiu o adversário levar) ao FC Porto na luta pelo primeiro lugar? Um treinador experiente e com dois dedos de testa teria esperado pelo tempo de compensação e, algures pelo meio, faria entrar Boly para ajudar a travar o desespero encarnado mas, fundamentalmente, para perder tempo. Nuno não se guia por essas ideias e quis reforçar o centro do terreno...

Tenho imensa pena que uma boa exibição tenha terminado assim. Mais ainda quando adversário, como equipa pequena que foi, acabou a festejar o empate de forma eufórica. Pior, temo que venham aí uma série de novas oportunidades para um jogador que já fez de tudo para ser encostado. Porque Herrera foi caro, porque a SAD está com a corda na garganta e não pode ter um activo desde desvalorizado, porque não se pode deixar que o jogador se vá abaixo psicologicamente e porque há muito que o FC Porto se está nas tintas para os resultados desportivos - o importante é facturar.