terça-feira, 8 de novembro de 2016

A arte de bater nos mais pequenos


Pode-se gostar mais ou menos da personagem, mas ninguém pode tirar a Jorge Jesus (JJ) o mérito por ter recuperado um método há muito não usado para vencer campeonatos: dizimar as equipas mais fracas. Desde o Porto de Co Adriaanse, completamente virado para o ataque com alterações entre o 3-4-3 e o 3-3-4, que ninguém o fazia, mas o amadorense levou essa filosofia para o Benfica e foi campeão na primeira tentativa. Claro que os factores externos o ajudaram, mas hoje não estamos aqui para discutir isso.

Embora com modelos tácticos diferentes - o tal 3-4-3 de Adriaanse é bem diferente do 4-4-2 de JJ -, a filosofia é a mesma e os resultados muito semelhantes: facilidade em vencer as equipas mais frágeis, mais dificuldade contra adversários de alguma valia e uma atrapalhação enorme nos clássicos. Rui Vitória, ao chegar ao comando das Águias, ainda tentou implementar um filosofia própria, mas os maus resultados forçaram-no a seguir o caminho do plágio ao antecessor que entretanto começava a formatar o rival Sporting à ideia do "rolo compressor".

O FC Porto, pelas mãos de Villas-Boas, primeiro, e Vítor Pereira - altamente menosprezado -, depois, ainda conseguiram contrariar essa tendência vencendo três campeonatos consecutivos a jogar em 4-3-3 com uma estratégia bem mais equilibrada, mas os últimos três anos de seca e o arranque algo tremido da presente temporada parecem ter levado Nuno Espírito Santo a juntar os Dragões ao comboio dos bullies.

O primeiro ensaio, algo dissimulado, foi frente ao Arouca (vitória dos Azuis e Brancos por 3-0), onde NES aproveitou a ausência de Otávio para testar um meio-campo com Óliver como interior esquerdo e Corona como interior direito. No passado Domingo, frente ao grande rival Benfica, essa estratégia voltou com apenas duas alterações em relação ao jogo frente ao Arouca: Maxi rendeu Layún e Otávio foi o escolhido para completar o meio-campo em detrimento de Herrera. Apesar do empate - festejado efusivamente pelos jogadores encarnados, talvez por estarem conscientes que deviam ter saído do Dragão com uma derrota pesada -, a equipa do FC Porto deixou excelentes indicações e só não venceu por uma série de factores aliados ao facto de ser o Benfica a equipa que há mais tempo usa o método de vergar os mais fracos, o que lhe confere um conhecimento mais aprofundado do que tem de fazer um pequenino para se defender quando se encontra numa situação de tão grande aperto.

A partir de agora Nuno só tem um caminho: continuara trabalhar e melhorar a equipa que ridicularizou durante 60 minutos o líder do campeonato. O resto virá por acréscimo.