quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O caminho faz-se caminhando


É uma daquelas frases feitas e que se enquadra perfeitamente na actualidade do FC Porto. Na apresentação do Relatório & Contas referente à época 2015/2016, Fernando Gomes admitiu que a SAD inflacionou de forma insustentável os salários da equipa de futebol e que existe a obrigatoriedade de inverter essa tendência, não de forma abrupta mas sim faseada. Com isso em mente, o administrador anunciou ainda a existência de um plano com a duração de três temporadas para o fazer.

Olhando para o plantel actual é possível verificar que há muito por onde reduzir os custos. Começando pela baliza - e sem por em causa a qualidade -, é incomportável para um clube português ter um jogador com o salário de Casillas. Que o contrato seja respeitado mas logo que termine se volte a colocar os pés no chão. Nomes como José Sá e Gudiño estarão prontos para a sucessão dentro de duas ou três épocas e, por isso mesmo, têm de ser considerados como candidatos lógicos a esta posição tão especifica. Na defesa a história é semelhante: não faz sentido contratar jogadores tão caos, numa idade tão avançada e já a perder qualidade como aconteceu com Maxi Pereira. A SAD deve considerar a transferência do lateral já no final da presente época - até porque devido à lesão Layún ficou dono e senhor do lugar - e apostar definitivamente em Ricardo Pereira, actualmente emprestado ao Nice. Rafa Soares, também ele emprestado mas neste caso ao Rio Ave, tem de entrar nas contas para 2017/2018 e ser o concorrente de Alex Telles na lateral esquerda. Passando para o meio-campo chegamos ao sector mais problemático. As opções são tantas e ao mesmo tempo tão escassas que nem Nuno foi capaz de decidir com quem ficar acabando por ficar com todos. Danilo, Rúben Neves, Evandro, Sérgio Oliveira, André André, Herrera, Óliver, Otávio e João Carlos Teixeira são os nove candidatos às quatro vagas abertas no centro do terreno para o 4-4-2 portista. Com Danilo, Óliver e Otávio de pedra e cal restam seis opções para uma posição. Com a existência de equipa B no clube esta situação é absolutamente desnecessária e por isso é imperial que o número de médios seja reduzido já em Janeiro. Emprestar João Carlos Teixeira e vender Evandro (tapado pela concorrência) e Herrera (nunca lhe reconheci valor para jogar no FC Porto mas diz-se que tem muito mercado) são opções lógicas para aliviar as finanças. Chegando ao ataque há dois nomes que saltam imediatamente à vista como sendo dispensáveis: Varela e Adrién Lopéz. O internacional português é uma sombra do que foi no passado há já muito tempo que deixou de ter a qualidade necessária para continuar no grupo. Já o avançado espanhol nunca chegou a fazê-lo e continua a mostrar que foi um erro de casting, já para não falar que é um dos jogadores mais caros do plantel.

Estes são apenas algumas das opções que treinador e SAD podem tomar em conjunto para que o FC Porto comece a desbravar caminho rumo a uma folha salarial saudável sem que para isso enfraqueça a equipa. Nos próximos dias analisarei que jogadores actualmente emprestados a outros emblemas devem ser encarados por Nuno Espírito Santo como potenciais reforços a curto prazo e qual deles devem entrar directamente para uma lista de atletas a vender pelo clube.